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O que são TLP e Projeto LION - Os artigos de Nelson Travnik.
(créditos: Vaz Tolentino e Travnik.)

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O que são TLP e Projeto LION - Os artigos de Nelson Travnik.

(créditos: Vaz Tolentino e Travnik.)

Iniciando com esta publicação, abordaremos as formações lunares indicadas como protagonistas de ocorrência de Transient Lunar Phenomena (TLP), baseado nos artigos escritos pelo meu saudoso amigo astrônomo, pesquisador, escritor, palestrante e professor Nelson Alberto Soares Travnik (29/09/1935 - 07/09/2023). Iniciaremos a primeira publicação do assunto TLP, pela brilhante e destacada cratera ARISTARCHUS (diâmetro: 40 km, profundidade: 3,15 km).

O que é TLP?

Transient Lunar Phenomena (TLP) - fenômeno lunar transitório, breve ou passageiro, que são descritos como aparições rápidas de luzes, cores, flashs ou mudança de aparência no visual, o que poderia demonstrar a existência de manifestações vulcânicas, escape de gases ou outros processos geológicos que supostamente implicaria que a Lua não estaria geologicamente morta.

O termo TLP foi criado em 1968 pelo astrônomo inglês Sir Patrick Moore (1923 - 2012), autor de mais de 70 livros sobre astronomia, apresentador de programas sobre astronomia em rádio e televisão, e colunista da revista inglesa Sky at Night.

Segundo Nelson Travnik em seu artigo “Lua: nada mais a pesquisar?, o assunto TLP teve um grande impulso a partir do Projeto APOLLO, em 1967, com o início do Programa Lunar International Observers Network (LION), criado pela NASA e pelo Smithsonian Institution. O interesse nas ocorrências de TLPs foi motivado pelo altíssimo custo das Missões APOLLO, centradas em alunissagens tripuladas.

De acordo com Travnik, em junho de 1968 a NASA publica o excelente catálogo intitulado “Chronological Catalog of Reported Lunar Events”, de autoria de algumas das maiores autoridades no assunto na época: Patrick Moore (Planetário Almagh, Irlanda), Barbara L. Welther (Observatório Astrofísico Smithsoniano, Cambridge, Massachusetts - EUA), Barbara M. Middlehurst (Laboratório Lunar e Planetário de Tucson/AZ - EUA) e Jaylee M. Burley (Centro de Voos Espaciais Goddard, Greenbelt, Maryland - EUA). A partir da pesquisa histórica feita por esses especialistas utilizando 253 publicações, o resultado foi uma listagem com 579 relatos de fenômenos inusitados, ocorrido entre os anos de 1540 a 1967. Isto posto, tornou-se então óbvio que, o monitoramento de nosso satélite natural teria que ser iniciado durante as Missões APOLLO, por astrônomos interessados de todo o mundo!

Fenômenos Lunares Transitórios:

De acordo com Travnik, existem vários tipos de TLPs. Alguns são do tipo visual e outros só podem ser detectados com o auxílio de filtros seletivos especiais, na cor azul (banda passante entre 5.900 e 6.400 angström) e vermelho (6.700 e 7.000 angström). Para a observação de uma região suspeita de ocorrência de TLP, tornava-se necessário a rápida troca de filtros, por meio de um dispositivo junto à ocular, denominado “Moon Blink”. Além desses, existem outros tipos de fenômenos que só podem ser registrados com um fotômetro ou espectroscópio. A isto, soma-se o especial interesse na difícil tarefa de fotografar um TLP.

Segundo Travnik, por ocasião do Programa LION, foram especificados os seguintes tipos de TLPs:

Blink” – como um flash fotográfico, muito rápido.

Bright” – com brilho anormal, durando alguns minutos.

Dimming” – obscurecimento sensível de uma região, seja lento ou rápido.

Pulsation” – pulsação luminosa, acendendo-se e apagando regular e irregularmente.

Spectrum” – raias espectrais que indicam possível escapamento de gases registrados através do espectroscópio.

O Programa LION:

Nelson Travnik em seu artigo “Missões APOLLO – NASA/JPL - O que foi o programa LION?” descreve que, naquela época, mesmo entre os astrônomos, o assunto da ocorrência de fenômenos lunares de curta duração (TLP), era pouquíssimo divulgado, pois para a grande maioria dos cientistas e astrônomos a Lua era um astro inativo, com a superfície do hemisfério visível totalmente conhecida e mapeada.

Segundo Travnik, com a missão tripulada APOLLO 8 (1968), tem início o inédito Programa LION (Lunar International Observers Network), tendo à sua frente autoridades mundiais na área (Barbara M. Middlehurst, Patrick Moore e Bárbara L. Welther). O já citado catálogo “Chronological Catalog of Reported Lunar Events” de 1968, foi o documento oficial que mais evidenciou a importância da observação de TLPs.

Travnik cita que, em 1968, a Dra Barbara Middlehurst atuando no papel de “embaixadora” do Programa LION, inicia uma visita a vários países, solicitando colaboração, baseado no receio de que, quando os astronautas estivessem a caminho ou mesmo na superfície lunar, a ocorrência de TLP poderia oferecer eventual risco, pois vários fenômenos ocorridos não apresentavam explicações científicas satisfatórias.

De acordo com Travnik, a Dra. Middlehurst esteve no Observatório Nacional – CNPq-MST do Rio de Janeiro em 1968, para conseguir apoio dessa instituição ao Programa LION. Nesta oportunidade é então escolhido o astrônomo-chefe, Dr. Ronaldo R. F. Mourão para coordenar o Programa LION no Brasil.

A primeira iniciativa é então, convidar os cinco mais experientes astrônomos amadores em observações lunares e planetárias da época: Rubens de Azevedo e Cláudio Pamplona (Fortaleza/CE), Jean Nicolini (São Paulo/SP), José M. L. da Silva (Curitiba/PR) e Nelson Travnik (Matias Barbosa/MG). Um amplo trabalho de orientação nas técnicas observacionais dos TLPs foi feito pelo Observatório Nacional e seus astrônomos. Com o decorrer do tempo e das Missões APOLLO, o Brasil totalizou 23 participantes no Projeto LION.

A participação Brasileira:

Travnik cita que o Programa LION teve início no Brasil com 2 observações na Missão APOLLO 8, 5 observações na Missão APOLLO 10, 34 observações na APOLLO 11, 16 na APOLLO 12 e 6 na APOLLO 13. Ao todo foram 63 observações de TLPs feitas por 23 observadores. A maior participação foi do Rio de Janeiro, com 36 registros de TLPs, seguido por Paraíba (9 registros), São Paulo e Ceará (5 registros), Minas Gerais (4 registros), Piauí (3 registros) e Paraná (1 registro). A maioria desses registros concentrou-se em formações lunares apresentando forte brilho devido, provavelmente, à presença de maior concentração de material luminescente. De acordo com Travnik, a cratera ARISTARCHUS sugere também a presença de material fosforescente e foi a formação que mais provocou registros: 30.

A norma estabelecida para o Programa LION era de observação normal da região escolhida e, nesse caso, seria preenchida uma ficha de observação de TLP negativo ou não existente (Negative Reported Form) e uma ficha de observação de TLP confirmado (Event Reported Form), onde constava a descrição do evento. Neste caso, também era mencionado se o evento havia sido observado por mais de uma pessoa, indicado o tempo de observação, os filtros empregados e demais dados utilizados pelo observador. A preferência das áreas a serem observadas eram aquelas com evidências de TLPs, constantes no mapa inserido no “Chronological Catalog of Reported Lunar Events” ou descritas nas instruções aos observadores. Porém, a pesquisa de outras áreas era livre, a critério do observador. Por isso, centenas de formações lunares foram pesquisadas.

Travnik cita que, quando os astronautas já estivessem a caminho da Lua e com visão aproximada de nosso satélite natural, caso fosse constatado um TLP importante pelos observadores brasileiros do Projeto LION, esses tinham em mãos, uma autorização da Western Union International Inc, para expedição de telegrama + cabograma diretamente para o Smithsonian Observatory. Este por sua vez, julgando importante a informação, entrava em contato com os astronautas para verificação. As vezes eram os astronautas que observavam algo inusitado e informavam.

Travnik cita que, às 18:45 UT de 19 de julho de 1969, em plena Missão APOLLO 11, o seu Observatório Flammarion em Matias Barbosa / MG, recebeu um telegrama “alta prioridade” em que os astronautas tinham observado uma atividade incomum muito brilhante, a noroeste de cratera ARISTARCHUS, solicitando imediatas observações visuais, fotográficas e espectrográficas.

Segundo Travnik, também em ARISTARCHUS, luzes de cor esverdeada pulsante foram observadas nos telescópios do Observatório Nacional, durante a Missão APOLLO 11, pelos astrônomos Ronaldo Mourão, José M. L. da Silva e Wayre Cardoso. Tal evento poderia estar relacionado à emissão do gás radioativo radônio 222.

De acordo com Travnik, os TLPs merecem atenção dos que se dedicam à observação do nosso satélite natural e os relatos comprovam que ainda existe um resquício de atividade no interior da Lua. Isto precisa ser melhor investigado antes de estabelecermos bases na Lua.

 

A Cratera ARISTARCHUS e o Vallis SCHRÖTERI 

Diâmetro: 40 Km;

Profundidade: 3,15 Km

Coordenadas Selenográficas: LAT: 23° 42′ 00″ N, LON: 47° 24′ 00″ W.

Período Geológico Lunar: Copernicano (Copernican): 1,1 bilhão de anos atrás até os dias atuais.

Melhor período de observação: 4 dias após o quarto-crescente ou 3 dias depois do quarto-minguante.

Quem foi Aristarchus? Astrônomo e matemático grego (310 aC – 230 aC), nascido na ilha grega de Samos.

 

ARISTARCHUS é uma jovem, destacada e brilhante cratera localizada no quadrante noroeste da Lua e na parte sudeste de um grande platô conhecido como “ARISTARCHUS Plateau” ou Platô de ARISTARCHUS.

A cratera ARISTARCHUS é a formação de grande porte mais brilhante da Lua (altíssima taxa de albedo) e possui um belo sistema de raios brilhantes.  Estima-se que tenha apenas entre 300 a 500 milhões de anos e a sua juventude é a razão do seu alto albedo, pois a radiação do vento solar ainda não teve tempo suficiente de escurecer os materiais que foram escavados por debaixo do regolito. Existem muitos relatos de ocorrência de TLPs (Transient Lunar Phenomena) na região de ARISTARCHUS.

As paredes internas da cratera ARISTARCHUS são estruturadas em terraços (como degraus ou curvas de nível) causados por deslizamento de materiais das encostas internas. Seu piso interior é meio plano e um pouco rugoso, apresentando um pequeno e baixo pico central.

Levantamentos feitos pela sonda lunar LRO da NASA, sugerem que a cratera ARISTARCHUS tenha granito em sua composição geológica.

A oeste de ARISTARCHUS encontra-se a cratera HERODOTUS (diâmetro: 34 Km, profundidade: 1,3 Km, LAT: 23.2o N e LON: 49.7o W), com sua superfície interna lisa e plana, inundada por lava basáltica.

A nordeste de ARISTARCHUS está presente a cratera PRINZ (diâmetro: 46 Km, profundidade: 1,07 Km, LAT: 25.5o N e LON: 44.1o W). É uma cratera “fantasma” que foi quase que totalmente submersa pela lava do Oceanus PROCELLARUM.

O Platô de ARISTARCHUS (Aristarchus Plateau):

O platô de ARISTARCHUS é um dos locais com maior interesse geológico do lado visível da Lua. Ele destaca-se como mais alto, velho e áspero da Lua. Ele é mais velho, porque tem mais marcas de crateras (pequenas) de impacto do que o oceano de lavas circundante. Sua área é de aproximadamente 200 Km X 200 Km. Estudos baseados em informações de sondas lunares, indicam que toda a superfície do platô é coberta por uma camada de cinzas vulcânicas, que cria um tom cor de caramelo quando observado por telescópio. Isto porque ocorreram grandes erupções de cinzas vulcânicas que foram explosivamente expelidas por gases a partir da “cabeça da cobra”, e acabaram por cobrir todo o platô.

De acordo com dados altimétricos da sonda Clementine, o platô eleva-se por um pouco mais de 2 Km em média acima das lavas circundantes do Oceanus PROCELLARUM e contém várias formações vulcânicas, tais como cristas, colinas e vales, sendo o mais espetacular, o Vallis SCHRÖTERI, que caracteriza-se como um canal gigante sinuoso, que foi fonte de uma pequena parte do volume de lavas que encheu o Oceanus PROCELLARUM.

Vallis SCHRÖTERI (LAT: 26.2o N  LON: 50.8o W) é o maior canal sinuoso da Lua, parecendo o leito seco de um grande rio, com largura de aproximadamente 11 Km na região de sua origem, conhecida como “cabeça da cobra” (de onde fluiu a lava e iniciou o canal) e, a partir daí, diminui e assume uma largura média em torno dos 5,5 Km. A profundidade média desse grande canal fica em torno de 600 m e o comprimento total atinge cerca de 185 Km. Existe um canal bem mais fino e raso que atravessa ao longo do interior de Vallis SCHÖTERI, com o comprimento cerca de 40 Km maior do que o dele.

Vallis SCHRÖTERI inicia-se como uma formação posicionada numa região alta, um pouco ao norte do local entre ARISTARCHUS e HERODUTUS (diâmetro: 34 Km, profundidade: 1,3 Km), conhecida como “The Head of Cobra” (a cabeça de cobra). Depois, o destacado canal de origem vulcânica, dirige-se para o norte, vira para noroeste e finalmente termina no leste.

Os cientistas lunares acreditam que o “ARISTARCHUS Plateau” foi erguido, talvez por causa da quantidade de lava que irrompeu através de volumosos fluxos vindos de VALLIS SCHROTERI. Acreditam também, que o magnífico vale foi a maior fonte de lavas que alimentou o norte do Oceanus PROCELLARUM. Em 1963 foram reportadas visualizações na “cabeça da cobra” sobre manchas vermelhas como se fossem erupções, caracterizando assim, uma suposta ocorrência de TLP.

Foto: A destacada e jovem cratera ARISTARCHUS, o platô de ARISTARCHUS, o grande Vallis SCHRÖTERI, a cratera de piso liso e plano inundada por lava HERODOTUS e as demais formações da região. Foto executada por VTOL em ‎02‎ de ‎julho‎ de ‎2012, ‏‎02:52:26.

Foto: Lua cheia apresentando a região da foto da cratera ARISTARCHUS e seu platô. Ao lado está o perfil altimétrico W – E da cratera ARISTARCHUS. Foto e perfil executados por VTOL.

 

Ilustração: O perfil altimétrico aplicado no sentido W – E na região da base da “cabeça da cobra”. Nesse ponto o perfil indica aproximadamente 8 Km de largura e 780 m de profundidade. Foto e perfil por VTOL.

Foto executada com apenas 1 frame em ‎27‎ de ‎abril‎ de ‎2018, ‏‎22:27:30 (01:27:30 UT).

Foto executada com apenas 1 frame em 18‎ de ‎janeiro‎ de ‎2019, ‏‎21:31:36 (23:31:36 UT).

Foto executada com apenas 1 frame em 0‎5‎ de ‎maio‎ de ‎2020, ‏‎21:16:50 (00:16:50 UT).

Foto executada com apenas 1 frame em 0‎4‎ de ‎maio‎ de ‎2020, ‏‎21:23:58 (00:23:58 UT).

Fotos com apenas 1 frame. Esquerda: 0‎4‎ de ‎maio‎ de ‎2020, ‏‎21:23:58 (00:23:58 UT. Direita: 0‎4‎ de ‎maio‎ de ‎2020, ‏‎21:23:58 (00:23:58 UT).

Fotos de frame único em (esquerda) ‎09‎ de ‎maio‎ de ‎2025, ‏‎21:56:46 (00:56:46 UT) e (direita)  ‎08‎ de ‎maio‎ de ‎2025, ‏‎19:21:30 (22:21:30 UT). Lua crescente em 0‎8‎ de ‎maio‎ de ‎2025, ‏‎19:40:30 (22:40:30 UT).

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