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O SUICÍDIO DO COMETA SCHOEMAKER-LEVY 9 - por Nelson Travnik.

Fragmentos2
02/08/2022

O SUICÍDIO DO COMETA SCHOEMAKER-LEVY 9

Muitas gerações irão passar sem que seja observado um apocalíptico evento planetário comparável ao que foi visto em Júpiter durante o mês de julho de 1994. Na Terra teríamos o fim da civilização.

Tudo começou com a descoberta por três caçadores de cometas, Eugene Schoemaker, sua esposa Carolyn e David H. Levy de um cometa na noite de 23/24 de março de 1993, utilizando uma câmara Schmidt do Observatório de Monte Palomar, EUA. No dia seguinte, ao examinar as fotografias, Carolyn levou um susto: "venham ver que coisa estranha", gritou para os companheiros. No filme apareciam minúsculos pontos brilhantes enfileirados como um colar de pérolas. A notícia foi repassada imediatamente para o astrônomo Brian Marsden, responsável pela catalogação e descobertas de cometas da União Astronômica Internacional sediada em Massachusetts, EUA. Ele identificou e viu que era um cometa. Os cálculos orbitais iniciais indicavam que ele havia ultrapassado o limite de Roche de Júpiter no dia 8 de março de 1992 e essa aproximação foi fatal em razão do imenso campo gravitacional desse planeta, em volume, 1300 vezes maior que a Terra. Júpiter é como um “aspirador cósmico”, sempre responsável por alterar órbitas de cometas que dele se aproximam. Dessa vez contudo, havia provocado a ruptura do núcleo do cometa em 21 pedaços de 1 a 4 km de diâmetro e com massa inicial prevista de 10 km.

Com isso sua órbita havia sido alterada e novos cálculos indicavam que ele estava assumindo uma rota de colisão com o planeta gigante nas latitudes de 43° e 45° do hemisfério sul como de fato aconteceu. A partir daí, programas internacionais de observação monopolizaram astrônomos de todo o planeta. Afinal, tratava-se de uma oportunidade única de presenciar um evento planetário passível de se repetir talvez em centenas ou milhares de anos.

AS OBSERVAÇÕES

Além dos telescópios, o Telescópio Espacial Hubble e a sonda Voyager-2 bem como a Galileu a caminho de Júpiter foram monopolizadas. Na ocasião também a sonda Ulysses sobrevoando o pólo sul do Sol ficou encarregada de captar emissões em rádio e ondas de choque dos impactos. O Hubble fez observações em luz visível e no ultravioleta. Também os radiotelescópios foram convocados para observação dos impactos e que poderia resultar distúrbios na magnetosfera de Júpiter e que poderiam resultar num fenômeno visual do tipo aurora. Os impactos foram calculados para acontecer nos dia 16 a 22 de julho de 1994. Os cometas compostos de rocha, gelo e poeira, são testemunhas da formação do sistema solar, antiqüíssimos andarilhos que perambulam no sistema solar. Seu núcleo não excede os 23 km de diâmetro.

UM ESPETÁCULO INIGUALÁVEL

Cada fragmento do cometa deslocando-se a 200 mil km/h, aproximadamente 215 vezes mais rápido que um Boeing ou o suficiente para cobrir a distância Rio-São Paulo em 6 segundos, iriam liberar uma quantidade de energia 50 mil vezes maior que o arsenal nuclear da época, algo impensável para os padrões humanos. Os pedaços do cometa denominado “trem nuclear”, penetraram na espessa atmosfera de Júpiter a 60 km/s e iam sendo destruídos pelo hidrogênio, hélio e outros gases numa gigantesca explosão. Os 21 fragmentos do cometa obedeceram numeração e letras. Os dias com horários dos impactos para o Brasil começou no dia 16 às 16:50 com o fragmento A e terminou no dia 22 às 05:21 com o fragmento W, portanto há 28 anos. Um dos maiores fragmentos, o G colidiu com Júpiter no dia 18 às 04:36 criando uma mancha escura com cerca de 12.000 km de diâmetro (diâmetro da Terra) liberando energia equivalente a 600 vezes todo o arsenal nuclear do mundo! Telescópios terrestres observaram a bola de fogo subindo a borda do planeta pouco após o impacto. O fragmento Q 1 atingiu Júpiter no dia 20 e o resultado foi uma explosão apocalíptica com um clarão maior que 3 vezes o diâmetro terrestre! O clarão foi de tal ordem que foi refletido nos satélites Io e Europa, os mais próximos do planeta. O 9º fragmento K foi observado no dia 19 às 07:26 pelo Observatório Anglo Australiano como uma imensa bola de fogo de gás superaquecido com brilho três vezes maior que o diâmetro da Terra! No Brasil, o clarão de curta duração do fragmento L no dia 19 registrado na borda do planeta às 23:32 foi observado por mim no então Observatório de Piracicaba e pelo Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Júpiter tem uma rotação de 9h 55m e vários fragmentos colidiram no lado invisível para nós, mas foram registrados pela sonda Voyager 2. Os efeitos dos últimos fragmentos não puderam ser registrados devido as gigantescas e espessas nuvens resultantes das explosões anteriores. Após as explosões, análises espectroscópicas permitiram descobrir que a amônia e o sulfeto de carbono persistiram por 13 a 14 meses. Depois de cada explosão, ficávamos intrigados com as gigantescas manchas escuras de cada explosão procurando uma razão sobre o que era feito esse material. Elas podiam ser vistas mesmo com modestos instrumentos e depois de vários meses foram desaparecendo. As missões Voyager identificaram cadeias de crateras em Calisto e Ganimedes que só podem ter sido causadas por impactos de cometas fragmentados. A experiência nas observações foi importante para conhecermos a composição e dinâmica que reinam na atmosfera de Júpiter, além de abrir ampla discussão para avaliar as conseqüências   devastadoras que poderá acontecer fossemos nós os atingidos. Nesse caso, você não estaria lendo esse artigo.

 

Nelson Travnik é astrônomo voluntário no Museu Aberto de Astronomia de Campinas, MASS e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.    

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